Quando foi convidado para ser o representante do Flamengo neste blog, confesso que fiquei um pouco hesitante. Isso porque estou em uma fase um pouco diferente da minha vida e já não tenho mais aquela paixão adolescente insana pelo futebol. Entretanto, bastou eu voltar a comparecer ao Maracanã no Flamengo e Botafogo na semana passada, para todo aquele amor vir à tona. Impossível não entrar no Mário Filho pela rampa de acesso com a maior e mais festiva torcida do Brasil entoando cantos e hinos e, de imediato, não se emocionar. Assim como entrar na arquibancada e ver a imensa torcida rubro-negra fazendo o "maior show da Terra" e não se arrepiar é, para mim, algo inimaginável. Tudo bem que o time anda melhorando com as contratações de Roger, Ibson e Maxi, mas ainda está longe de ser Flamengo. Se ainda existe algum gás que mantém a chama acesa do Flamengo e a vontade de se continuar a torcer pelo time, esse gás é a mística da camisa vermelho e preta e, ironicamente, sua própria torcida. Como Freud já dizia, o indivíduo dentro da multidão perde a noção do seu real poder e devido à força do coletivo ganha dotes sobre-humanos. Assim o é na torcida do Mengão em que uma voz é multiplicada por milhares que se tornam um som uníssono de amor eterno por algo que nem palpável é. Estranho, né? Pode até ser, mas é inegavelmente lindo. Sei que por ser o rubro-negro dos 4 blogueiros, vou ouvir muito, pois desde que eu me entendo por gente as outras torcidas se juntam para falar mal do Flamengo. Portanto, para meus três grandes amigos deixo esta citação de um tricolor dos mais fanáticos e ilustres, que retrata o que acontece até hoje, vide o jogo de ontem contra o Figueirense em que o Flamengo quase foi liquidado no início do segundo tempo, mas reagiu graças à força de sua torcida e ao peso de sua camisa:
"Para qualquer um, a camisa vale tanto quanto uma gravata. Não para o Flamengo. Para o Flamengo a camisa é tudo. Já tem acontecido várias vezes o seguinte: - quando o time não dá nada, a camisa é içada, desfraldada, por invisíveis mãos. Adversários, juízes, bandeirinhas, tremem, então, intimidados, acovardados, batidos. Há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará a camisa, aberta no arco. E diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável." Nelson Rodrigues
PS: Por falar nisso, a camisa nova do Mengão relembrando os tempos áureos de Zico, Junior e Cia. está linda, a não ser por dois pequenos poréns:
o excesso de logotipos da petrobrás (será que realmente vale a pena deixar a camisa tão poluída quanto um macacão de piloto de fórmula 1 para não receber nada a mais por isso?) ;
qualquer coisa que é fabricada pela nike nunca poderia ser chamado de linda, mesmo sendo o manto sagrado, me dói elogiar algo feito por uma empresa que terceiriza seus serviços para empresas que empregam trabalho infantil e escravo em países como Paquistão, China e Indonésia.
Bons tempos em que as camisas só continham as cores e os escudos dos clubes!
Abraços a todos e bom feriado!
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
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Um comentário:
eu acho q o flamengo ainda tem mto o q fazer fora de campo antes de voltar a ser o flamengo de verdade. existe esperança de terminar o campeonato de forma decente, mas realmente aida tá longe do ideal.
mas a camisa tá bonita!
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